As percepções programadas que moldam a biologia, o comportamento e o carácter no ser humano.
Quais são as três principais perceções programadas que moldam diretamente a biologia, o comportamento e o carácter no ser humano?
As primeiras perceções programadas são adquiridas através de herança. O nosso genoma contém programas comportamentais que fornecem comportamentos reflexos fundamentais, denominados de instintos. Tirar a mão do fogo é um comportamento derivado geneticamente. Instintos mais complexos incluem a capacidade de bebés recém-nascidos nadarem como os golfinhos ou a ativação de mecanismos de cura inatos para eliminar um desenvolvimento canceroso. Os instintos herdados geneticamente são perceções adquiridas da Natureza.
A segunda fonte de perceções que controlam a vida vem de memórias de experiências transferidas para a mente subconsciente. Essas poderosas perceções adquiridas representam a contribuição da educação. Entre as primeiras perceções da vida, a serem transferidas para a mente subconsciente, estão os padrões emocionais da mãe ainda no ventre. A nutrição não é a única coisa que a mãe fornece ao feto. Um complexo químico de sinais emocionais maternos, hormonas e fatores de stress também atravessam a barreira placentária e influenciam a fisiologia e desenvolvimento fetal. Quando a mãe é feliz, também é o feto. Quando a mãe está com medo, também está o feto. Quando a mãe tem pensamentos de rejeição em relação ao feto, o sistema nervoso fetal programa-se com a emoção de rejeição.
Quando o bebé nasce, a informação emocional, transferida a partir das experiências da mãe já moldou metade da personalidade do indivíduo.
O sistema nervoso fetal regista experiências no ventre. No entanto, a programação percetual mais influente da mente subconsciente ocorre desde o nascimento até aos seis anos de idade. Durante esse tempo, o cérebro da criança está a gravar todas as experiências sensoriais, bem como a aprender programas complexos de linguagem, a gatinhar, a andar, e atividades avançadas, como correr e saltar. Simultaneamente, os sistemas sensoriais da criança estão, totalmente, empenhados em transferir uma quantidade enorme de informação sobre o mundo e como ele funciona. Ao observar os padrões de comportamento das pessoas ao seu redor – principalmente os pais, irmãos e parentes – as crianças aprendem a distinguir os comportamentos sociais aceitáveis e inaceitáveis. É importante perceber que as perceções adquiridas antes da idade de seis anos tornam-se nos programas subconscientes fundamentais, que formam o carácter da vida de um indivíduo. Durante este tempo de aprendizagem acelerada, a Natureza facilita o processo de aculturação ao aumentar a capacidade da mente subconsciente para transferir grandes quantidades de informação. Sabemos isto graças aos estudos de ondas cerebrais em adultos e crianças. As leituras de eletroencefalograma (EEG) de cérebros adultos revelam que a atividade elétrica neural está relacionada com diferentes estados de consciência. Leituras EEG em adultos mostram que o cérebro humano funciona em, pelo menos, cinco níveis de frequência diferentes, cada uma associada a um estado cerebral diferente:
As vibrações EEG mudam continuamente de estado para estado em toda a gama de frequências durante o processamento cerebral normal em adultos. No entanto, as frequências do cérebro de crianças em desenvolvimento exibem um comportamento, radicalmente, diferente. As taxas de vibração EEG e os seus estados correspondentes evoluem, incrementalmente, em estágios ao longo do tempo. A atividade predominante no cérebro da criança nos dois primeiros anos de vida é Delta, a gama com frequência mais baixa do EEG. Entre os dois e seis anos de idade, a atividade do cérebro da criança sobe e opera, principalmente, em Teta. Enquanto no estado Teta, as crianças passam grande parte do seu tempo a misturar o mundo imaginário com o mundo real. A consciência calma associada à atividade Alfa só se torna num estado predominante do cérebro após os seis anos de idade.
Um estado de transe…
Aos doze anos, o cérebro manifesta todas as gamas de frequência, embora a sua atividade principal esteja em estado Beta, ou seja, de consciência focalizada. As crianças deixam para trás o ensino preparatório nessa idade e entram nos programas académicos mais intensos do ensino secundário. Caso não tenha percebido, aqui está um facto muito importante: as crianças não expressam a frequência Alfa do EEG de processamento consciente, como um estado do cérebro predominante, até depois dos seis anos de idade. A atividade predominante Delta e Teta expressa em crianças menores de seis anos significa que os seus cérebros estão a operar em níveis abaixo da consciência. As frequências cerebrais Delta e Teta definem um estado cerebral conhecido como um estado de transe hipnagógico – o mesmo estado neural que hipnoterapeutas usam para transferir, diretamente, novos comportamentos na mente subconsciente dos seus clientes. Por outras palavras, os primeiros seis anos de vida de uma criança são passados num estado de transe hipnótico!
As perceções que uma criança tem do mundo são transferidas, diretamente, para o subconsciente durante este tempo, sem discriminação e sem filtros da mente analítica autoconsciente, que não existe, plenamente. Por conseguinte, as nossas perceções fundamentais sobre a vida e o nosso papel nela são apreendidas sem que tenhamos a capacidade de escolher ou rejeitar essas crenças.
Estávamos, simplesmente, a ser programados.
O Processamento no Computador Bioquímico
A ausência de processamento consciente, que é a atividade EEG Alfa, bem como o estado simultâneo de transe hipnogógico, durante os estágios iniciais da vida de uma criança, são uma necessidade lógica. Em primeiro lugar, os processos de pensamento relacionados com as funções da mente autoconsciente não podem operar a partir de uma folha em branco. O processamento de informação autoconsciente exige uma base de dados de perceções apreendidas para trabalhar. Por conseguinte, antes que uma pessoa possa expressar autoconsciência, o cérebro tem de fazer a sua principal tarefa de adquirir uma consciência de trabalho do mundo, por descarga direta de experiências e observações na mente subconsciente.
No entanto, existe uma desvantagem muito séria na aquisição de consciência por este método. A consequência é tão profunda, que não só afeta a vida do indivíduo, como pode também alterar toda uma civilização. O problema é que transferimos as nossas perceções e crenças sobre a vida, anos antes de adquirirmos a capacidade de pensamento crítico. Quando, em crianças, transferimos restrições ou crenças sabotadoras, essas perceções, certas ou erradas, tornam-se nas nossas verdades. Se a nossa plataforma for uma perceção errada, a nossa mente subconsciente irá, obedientemente, gerar comportamentos que sejam coerentes com essas verdades programadas. As perceções adquiridas durante esse período crucial de desenvolvimento podem, realmente, substituir os instintos doados geneticamente. Considere, por exemplo, que cada um de nós pode, instintivamente, nadar como um golfinho no momento em que emerge do canal de parto. “Porquê, então,” pode perguntar: “temos nós que ensinar as crianças a nadar? Por que razão tantos têm medo da água?” Se é pai ou mãe, pense na sua reação provável quando o seu filho chega perto de água. Preocupado com a segurança do seu filho, apressa-se a puxá-lo para longe. No entanto, na perspetiva do bebé, o seu comportamento frenético é entendido como a água sendo uma ameaça à vida. O medo, adquirido da perceção de que a água é perigosa, substitui a capacidade instintiva de nadar e faz com que a, anteriormente nadadora, criança fique suscetível a afogamento.
Agora deve estar a pensar: “Bem, isso é ótimo. Estou tão aliviado de saber que não sou uma vítima da minha genética. No entanto, agora pareço ser uma vítima da minha programação. Que hipótese tem o meu pequeno processador consciente de 40 bits contra o megacomputador subconsciente da desgraça? Onde está a boa notícia?” A boa notícia é que, o que quer que tenha sido programado pode ser desprogramado e reprogramado.
Isso leva-nos a uma terceira fonte de perceções, que moldam as nossas vidas, e que também deriva das ações da mente autoconsciente. Ao contrário da programação reflexiva da mente subconsciente, a mente autoconsciente é uma plataforma criativa, capaz de misturar e mudar perceções com uma infusão de imaginação, num processo que gera um número ilimitado de variações de crenças e comportamentos. A qualidade da mente autoconsciente dota os organismos com uma das forças mais poderosas do Universo – a oportunidade de manifestar o livre-arbítrio.
Assim sendo, medos (que provocam a impotência), culpas (que bloqueiam a vida), ressentimentos, falta de confiança, conceitos errados (ou preconceitos), ou crenças (tal como a da falta de abundância) – que afetam a vida humana, são alguns dos muitos exemplos de programas negativos que poderão ser alterados beneficiando de forma positiva a vida da pessoa.
O primeiro passo na evolução da Consciência é tomar uma perceção clara do que queremos mudar. O segundo é estarmos integralmente abertos (completa aceitação) para a alteração dessa mudança, permitindo e querendo fazê-la. O terceiro passo é a ação e direção correta para esse objetivo, não parando até o atingir, alterando e eliminando interiormente tudo o que for necessário para esse objetivo.
Poderá a família e o meio ambiente onde o ser humano nasce, ter origem duma continuidade num processo pessoal, ou mesmo numa escolha feita pela sua alma, para crescimento pessoal?
Para alguns especialistas de Terapia Regressiva de Memória da área Transpessoal – tal como o Dr. Morris Nertheton – o período compreendido entre a Conceção, Nascimento e pós Nascimento do bebé, reabrem os processos pessoais inacabados de vidas passadas, sendo neste período inicial feito o registo de continuação neste seu projeto de vida atual, através da forma como o bebé reage ao meio ambiente e às emoções ou processos que identifica com os pais, principalmente com o lado da mãe. Supostamente o que o que o bebé sente durante esse período, irá servir de molde para o seu carácter e também como base para o que irá atrair para o seu universo presente. Naturalmente que o meio ambiente e a família onde nasce já teria sido escolhida – consciente ou inconscientemente – ou talvez atraída previamente pela sua alma, como experiência para sua evolução e crescimento.
Poderíamos, por este ponto de vista, questionar se vivemos numa realidade já criada e, que vem do infinito – ou dum mundo desconhecido – sendo a mesma transferida para a nossa vida atual e, reprogramada na vida presente – matéria ou finito – para continuidade duma experiência pessoal, podendo esta repetir-se ou evoluir segundo o nosso livre arbítrio?